Eu queria ser o Henrique Spavieri

“Os sonhos sobrexcitam, não a inteligência mas o desejo, não o cérebro mas o coração.” (Fédor Dostoiewsky)
Ângelo Henrique e Fábio Henrique. Foto: Mateus Medeiros

Ângelo Henrique e Fábio Henrique. Foto: Mateus Medeiros

Eu queria ser o Henrique Spavieri…

…o Alessandro Maschio, Bolly, Marcelo Germano e Pauléo. Não viver a vida deles, se me entendem, mas ser o que eles eram: repórteres-fotográficos. Com este desejo o acaso me levou a trabalhar na loja Spavieri, na rua Boa Morte, pós Buda Som – que foi, nas décadas de 80 e 90, uma famosa loja e laboratório fotográfico situada na rua Alferes José Caetano -, administrado pelo Spavieri e pelo Christiano Diehl. Voltando à rua Boa Morte neste novo endereço (sem o Dihel), seu novo sócio era de São Paulo e empresário do mesmo ramo, mas a supervisão ficou a cargo de Roberto Ascari e seu filho Guilherme, ambos já meus grandes amigos.

E lá estava eu, compartilhando o minúsculo espaço com as novas amigas, Fabiana e Luci (mais tarde veio a Kelly) e ninguém menos que o grande (literalmente) Henrique Spavieri. Que medo que eu tinha daquele careca cabeludo que chegava gritando e ordenando que seus filmes fossem revelados com prioridade! O homem tinha mais energia do que dez de mim. Não ficava quieto por cinco segundos. A paciência não constava em seu dicionário. “Como um cara chato desse consegue ter tantos amigos assim?” – eu pensava – pois de cada dez pessoas que passavam em frente a loja, sete o cumprimentava. Fora os motoristas que buzinavam só para receber um aceno do Henrique.

Sempre ao seu lado, Mateus Medeiros era seu braço direito. Os dois combinavam, até se pareciam: ríspidos e acho que surdos, pois como gritavam! Tal pai, tal filhos. Neste estabelcimento pude estreitar as relações com os outros de muitos filhos do Henrique, principalmente os quatro citados no início do texto. Também queria ser filho do Spavi e o tempo permitiu, enfim fui adotado. “Agora você faz parte do esquema”, dizia ele, “vou por você no circuito”. Quanta alegria e satisfação. Estar junto do Henrique e do Mateus era garantia de muitas risadas, mas muitas mesmo. Inúmeras histórias nestes mais de seis anos – de setembro de 2001 até janeiro de 2008 -, quase que diários ao lado deles.

Éramos amigos…tirávamos sarros um do outro. Eu, no início, com uma câmera manual e com o flash Metz já “fora de moda” era motivo de piada pelo Spavieri: “Veja isso Matheus, bábaridade…”, dizia ele segurando meu equipamento fotográfico, e chorávamos de rir: “Matheus, eu não vou levar você até o Jupiá, pelo amor de Deus, o Terminal está bom demais”, e mais gargalhadas.

Em algum evento “chic” da cidade era comum ele dizer em tom de brincadeira para nós dois: “Viu, não me façam passar vergonha, pois vocês não tem classe”. Na loja era comum ele chegar com dezenas de pastéizinhos fritos e entrar gritando: “Tomem seus mortos de fome, olha o que o Spavi trouxe para vocês comerem!”, e fazíamos festa.

Acabei me tornando o segundo braço direito do Henrique neste período, ele foi pioneiro na fotografia digital em Piracicaba com a sua lendária Mavica. Confiava todos os seus trabalhos para mim e quando eu não dava conta do recado, ele corria até o Rodrigo Dini da Logobyfogo, então com um pequeno escritório no andar de cima da “Xerox e Cia” na rua José Pinto de Almeida. Com pouco tempo de convivência, percebi o quanto as minhas primeiras impressões sobre ele estavam erradas. Spavieri era uma criança, como muitos já disseram. Batia em seu peito um coração muito generoso. “Comigo é assim, quando eu ganho todo mundo ganha”, mesmo que não ganhasse nada, alegria ele distribuia gratuitamente. Por mais problemas que tivesse não compartilhava mal humor, tudo estava “excelente”. Henrique Spavieri foi assim e muito mais, uma pessoa do bem e de muita coragem, que viveu como e quando quis.

Equipes das lojas Zoom Bischof e Spavieri Fotografias em evento promovido pela Fuji Film

Equipes das lojas Zoom Bischof e Spavieri Fotografias em evento promovido pela Fujifilm

Conselhos. Foto: André Vidal.

Conselhos. Foto: André Vidal.

Conselhos. Foto: André Vidal.

Conselhos. Foto: André Vidal.

Marcelo Germano, Henrique Spavieri e Fábio H. Mendes. Foto: Bolly Vieira.

Marcelo Germano, Henrique Spavieri e Fábio H. Mendes. Foto: Bolly Vieira.

Marcelo Germano, Marcia, Fábio H. Mendes, Adriana e Bolly Vieira. Foto: Mateus Medeiros.

Marcelo Germano, Marcia, Fábio H. Mendes, Adriana e Bolly Vieira. Foto: Mateus Medeiros.

HS e eu. Centenário da Esalq.

HS e eu. Centenário da Esalq. Foto: Mateus Medeiros.

Classe. Foto: Bolly Vieira.

Classe. Foto: Bolly Vieira.

Henrique Spavieri, Adriana Vieira, Bolly e Mateus Medeiros. Foto: Marcelo Germano.

Henrique Spavieri, Adriana Vieira, Bolly e Mateus Medeiros. Foto: Marcelo Germano.

Henrique, Marcelo Rocha e Mateus Medeiros. Foto: Fábio H. Mendes.

Henrique, Marcelo Rocha e Mateus Medeiros. Foto: Fábio H. Mendes.

Alessandro Maschio e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

Alessandro Maschio e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Bolly. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Bolly. Foto: Fábio H. Mendes

Maschio, Bolly e HS. Foto: Mendes

Maschio, Bolly e HS. Foto: Mendes

Renisa Spavieri, Henrique Spavieri e Bolly Vieira. Foto: Fábio H. Mendes

Reniza Spavieri, Henrique Spavieri e Bolly Vieira. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Bolly. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Bolly. Foto: Fábio H. Mendes

Mateus Medeiros, Reniza e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

Mateus Medeiros, Reniza e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Marcelo Germano. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Marcelo Germano. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Kelly Cunha. Foto: Fábio H. Mendes

HS e Kelly Cunha. Foto: Fábio H. Mendes

Mário Evangelista e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

Mário Evangelista e Henrique Spavieri. Foto: Fábio H. Mendes

Marcelo Germano, Francisco Vieira, Bolly Vieria, Mário Evangelista, Henrique Spavieri, Mateus Medeiros, Lucca Medeiros e Alessandro Maschio. Foto: Fábio H. Mendes

Marcelo Germano, Francisco Vieira, Bolly Vieira, Mário Evangelista, Henrique Spavieri, Mateus Medeiros, Lucca Medeiros e Alessandro Maschio. Foto: Fábio H. Mendes

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Liberdade de Impressão: jornalismo contracultural

Documentário produzido para o Trabalho de Conclusão do Curso de jornalismo. Produzido por mim e pela Larissa Helena.

Sinopse:
O documentário discute a contracultura, um fenômeno sociocultural da década de 60 nos EUA e no Brasil, na conjuntura da ditadura militar. O contraponto entre a liberdade e a opressão ganha força nesta época, repleta de manifestações de descontentamento com os padrões sociais vigentes. Neste contexto insere-se o jornalismo contracultural, esfera crítica que expõe a liberdade intelectual com essência na prática e função do jornalista na sociedade.

Etiquetado , , , , , , , , , , , , , ,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 30 outros seguidores