Coradini

Acidente com aluna durante a aula, para conquistar sua carteira de habilitação., Durante a baliza atropelou a instrutora e jogou o carro dentro do Rio Piracicaba. O registro feito pelo meu amigo Claudio Coradini foi publicado no site da UOL.

Uma observação: percebam que o fotojornalismo é premiado com tragédias pelo mundo. Por quê?
Bobagem minha, a frase acima.

Valeu, Claudinho.

Foto: Claudio Coradini/Gazeta de Piracicaba

Anúncios
Etiquetado ,

7 pensamentos sobre “Coradini

  1. Luana disse:

    Não é que tenha que ser assim, mas vamos lá: Fazer uma foto em um momento como esse, ou melhor fazer ‘a foto’ em um momento assim, com certeza é no mínimo mais tenso. Envolve fatores morais, culturais, pessoais, etc.. Por isso, remete um valor à mais para esse tipo de fotografia. Um exemplo extremo disso é o que aconteceu com Kevin Carter, após tantas tragédias registradas por sua câmera.

    • Sim. Fantástico os profissionais que se submetem a registrar essas tragédias. Mas não é a realidade do mundo. Tem mais coisas boas para serem vistas. Porém as mídias de massa transformam nossa realidade somente com maus acontecimentos. Veja os últimos prêmios de fotografias pelo mundo. Guerra, guerra, guerra e mais guerras.

  2. Claudinho disse:

    Dessa forma fica parecendo que sou um “paparazzi” que vive em busca de imagens trágicas o dia todo, o que não é verdade.
    Sou um repórter fotográfico que respira fotojornalismo, profissional ao extremo, e não um lambe-lambe de “merda” que só gosta de fotografar coisinhas bonitas, como vemos aos montes por aí em decorrência da popularização da fotografia digital. Coloco inspiração em cada clic da minha câmera.
    Uma foto publicada no site da UOL ou em qualquer outro, não é premiação, e sim mais um trabalho, sendo assim também com os acontecimentos, seja fotografando numa guerra ou em um jardim com girassóis coloridos, estarei sempre pensando a imagem, sem necessariamente precisar me envolver além disso no que esteja ocorrendo, pra não correr o risco de perder o foco. O olhar do repórter fotográfico não tem sexo, cor, posição social, partido, idade, enfim, pra ser bom, tem que ser neutro, puro.
    As mídias de massa, sem generalizar, é claro, mostram a realidade do mundo, cabe a nós, escolhermos a informação que nos faça bem, no meu caso, gosto de economia, esportes, arte e cultura, sem deixar de me interar do restante, é claro, assim, fazemos a nossa parte.
    Não é uma questão de se submeter a fotografar tragédias, e sim de estar pronto pra conseguir “a foto” em qualquer acontecimento, sem opção de escolha.
    Sobre o Kevin, se ele fosse um empresário, biólogo ou bibliotecário, acredito que aconteceria a mesma coisa, sem qualquer relação com seu trabalho, apenas a repercussão evidentemente foi maior. Não consigo compreender como muitas pessoas na época e até hoje tentam relacionar o fato com o trabalho, um absurdo..rsss. Há uns quatro anos soube de um RF que trabalhava num jornal de bairro em São Paulo que enfiou o carro na traseira de um caminhão, e muitos atribuíram a fatalidade do acidente ao excesso de pautas que o cara fazia.
    Abs

    • Ei Claudinho, antes de responder seu comentário, já estou contente pela sua passagem por aqui, mesmo com a sua descontentação pelo post. A comunicação é algo muito difícil. A Celiana Perina, com quem trabalho e aprendo muito na Unimep, costuma dizer para o dept. que é muito difícil ser compreendido. São várias as circunstâncias, a forma como se comunica usando as palavras, gestos, posturas, qual o conhecimento do receptor sobre o assunto e assim de que forma ele vai entender a mensagem e por aí vai. Neste caso, sobre o texto da sua foto, reli e observei o quanto me expressei mal. Mas vamos lá. A minha crítica é sobre a exagerada violência estampada nos grandes jornais e mídias como a TV e internet. A violência existe desde que o mundo é mundo, pelo menos é o que nos diz os livros de história. Agora centralizá-la dessa maneira para lucrar é que me incomoda. Essa é a minha crítica. Quantas fotos lindas você faz diariamente de coisas boas? Aposto que muitas e não vão parar no site da UOL. Aliás, quando escrevi sobre o prêmio, aí quem fez a confusão foi você. Pois a palavra prêmio, nada mais é do que a recompensa pelo trabalho. Se uma foto minha sair publicada em um site com abrangência nacional como da UOL, vou me sentir premiado. Afinal, quanto mais pessoas verem as imagens que produzo, sinceramente, mais contente eu fico. Claudinho, jamais existiu a possibilidade de te apontar com um paparazzi sensacionalista. Ficou louco? Agora, você se engana em dizer que o seu olhar não tem sexo, cor, posição social, partido, idade…isso é impossível. Não existe neutralidade. Todos nós temos uma formação cultural, e não tem como não pender o olhar para um ou outro lado, para cima ou para baixo. Por isso que todo dia sai fotos diferentes nos jornais. Pois os assuntos são os mesmos! Daí vai o ponto de vista, o entendimento do fotógrafo sobre o assunto e fazer o seu recorte. Quanto ao Kevin Cartner, acredito que ele sendo fotógrafo e participar de momentos tão horríveis, como as guerras e suas consequências, é necessário ter muito discernimento para não enlouquecer. Eu enlouqueceria, por isso não gosto de grandes acontecimentos, prefiro o meu dia-a-dia, simples e honesto.

      Um grande abraço e inté.

      Fábio

  3. Claudio disse:

    Ahhh Fabião, pelo visto teremos que levar esse debate para uma mesa de bar porra…hehehe.
    Seu blog é legal, abordando os bastidores da fotografia local.
    Para nós repórteres fotográficos a comunicação é muito fácil, desde que saibamos nos expressar através das imagens, e não fiquemos divagando, viajando, enfim, falando muito.
    Exagerada violência para lucrar? Porra, temos no jornalismo, dentro das redações, aqui em Pira e no mundo todo, muita gente competente que abomina o sensacionalismo, mas, a realidade dos fatos não é possível esconder do leitor, vivemos numa sociedade violenta, ifelizmente. Acredito que esse tipo de notícia tenha maior impacto, por isso acaba chamando mais a atenção, do que para fatos mais lights, veja as inundações de janeiro. Sobre o lucro, jornais, sites, emissoras de tvs e rádios são empresas e precisam lucrar para que possamos continuar publicando nossas imagens.
    Como repórter fotográfico por aptidão, há vinte anos estou clicando coisas boas, ruíns, chatas,mais ou menos, trolhas e tudo mais que imaginar, e tudo é publicado em todos os lugares.
    Sobre me sentir premiado em ter a foto publicada no Uol, é óbvio que entendi sua colocação, e fico feliz sim, entretanto, como disse no parágrafo acima, o meu troféu prefiro em cash, desta forma, considero meu trabalho valorizado.
    Putz velho, vc me deixou orgulhoso quando passou pelo JP, percebia em cada imagem publicada que alí estava nascendo ´mais um talentoso repórter fotográfico, principalmente naquela dos ciclistas noturnos, mas… agora vc me diz que nosso olhar não pode ser neutro, na verda ele deve ser neutro, puro, não pode ter nada com a nossa formação cultural, pois, no meu caso e de muitos amigos que conheço, ser repórter fotográfico não é encarado como um trabalho e sim um estilo de vida, que nada tem haver com a nossa vida pessoal, é muito louco isso cara, no meu caso, eu, Claudio, tenho muito pouco em comum com o eu, Claudinho Coradini, repórter fotográfico, que inclusive manda mais na minha vida do que eu mesmo, e um detalhe, nunca se misturam, por isso que o olhar fica puro.
    Finalizando, vc é bom, e não gostei de ter escrevido que não gosta de grandes acontecimentos e prefere seu dia a dia simples e honesto, o jornalismo precisa de talentos como vc, quando assistir uma guerra pela tv, a reação normal do repórter fotográfico é sentir vontade de estar lá fotografando, seja numa posse de presidente, um corrida de F1, uma tragédia como o buraco do metrô em SP, ou a neve em Paris, um atentado em NY, e mais, objetivando conseguir a melhor foto dentre todos os que estiverem lá.
    Valew

    • Vamos pro bar! heheh

      Encontrei com o Mateus Medeiros e ele já chegou dizendo: “Que história é essa de criticar o Claudinho!” Expliquei que a minha crítica é sobre a mídia, enfim…Quando fui me despedir ele exclamou em alto e bom som: “O Fabião está criticando o fotojornalismo”. Putz!

      Vamos para o bar, eu, você e o Mateus. Depois de meia dúzia entramos num acordo ou nos matamos. heheheheh

      Mais uma vez, obrigado pela visita.

      Adoro o seu trabalho.

      Inté.

  4. PESSOAL.. VAI AQUI MINHA MENSAGEM SOBRE O TRABALHO DA IMPRENSA E DOS FOTOGRAFOS…

    Ser Jornalista é…
    Ser Jornalista é saber persuadir, seduzir. É hipnotizar informando e
    informar hipnotizando. É não ter medo de nada nem de ninguém. É
    aventurar-se no desconhecido, sem saber direito que caminho irá te
    levar. É desafiar o destino, zombar dos paradigmas e questionar os
    dogmas. É confiar desconfiando, é ter um pé sempre atrás e a pulga
    atrás da orelha. É abrir caminho sem pedir permissão, é desbravar
    mares nunca antes navegado. É nunca esmorecer diante do primeiro não.
    Nem do segundo, nem do terceiro… nem de nenhum. É saber a hora certa
    de abrir a boca, e também a hora de ficar calado. É ter o dom da
    palavra e o dom do silêncio. É procurar onde ninguém pensou, é pensar
    no que ninguém procurou. É transformar uma simples caneta em uma arma
    letal. Ser jornalista não é desconhecer o perigo; é fazer dele um
    componente a mais para alcançar o objetivo. É estar no Quarto Poder,
    sabendo que ele pode ser mais importante do que todos os outros três
    juntos.
    Ser jornalista é enfrentar reis, papas, presidentes, líderes,
    guerrilheiros, terroristas, e até outros jornalistas. É não baixar a
    cabeça para cara feia, dedo em riste, ameaça de morte. Aliás, ignorar
    o perigo de morte é a primeira coisa que um jornalista tem que fazer.
    É um risco iminente, que pode surgir em infinitas situações. É o
    despertar do ódio e da compaixão. É incendiar uma sociedade inteira,
    um planeta inteiro. Jornalismo é profissão perigo. É coisa de doido,
    de maluco beleza. É olhar para a linha tênue entre o bom senso e a
    loucura e ultrapassar os limites sorrindo, sem pestanejar. É saber que
    entre um furo e outro de reportagem haverá muitas coisas no caminho.
    Quanto mais chato melhor o jornalista.

    Ser jornalista é ser meio metido a besta mesmo. É ignorar solenemente
    todo e qualquer escrúpulo. É desnudar-se de pudores. Ética? Sempre,
    desde que não atrapalhe. A única coisa realmente importante é manter a
    dignidade. É ser petulante, é ser agressivo. É fazer das tripas
    coração pra conseguir uma mísera declaraçãozinha. É apurar, pesquisar,
    confrontar, cruzar dados. É perseguir as respostas implacavelmente. É
    lidar com pressão, pressão de todos os lados. É saber que o inimigo de
    hoje pode ser o aliado de amanhã. E a recíproca é verdadeira. É deixar
    sentimentos de lado, botar o cérebro na frente do coração. É ser frio,
    calculista e de preferência kamikaze. É matar um leão por dia, e ainda
    sair ileso. É ter o sexto sentido mais apurado do que os outros, e
    saber que é ele quem vai te tirar das enrascadas. Ou te colocar nelas.

    Ser jornalista é ser meio ator, meio médico, meio advogado, meio
    atleta, meio tudo. É até meio jornaleiro, às vezes. Mas, acima de
    tudo, é orgulhar-se da profissão e saber que, de uma forma ou de
    outra, todo mundo também gostaria de ser um pouquinho jornalista.
    Parabéns a nós!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s