Turin

Roberto Turin

Olá. Quem chega pra prosa hoje é o fotógrafo Roberto Moacyr Torin. Nascido em Piracicaba no dia 19 de dezembro do ano de 1938, Turin (com “u” mesmo) como é mais conhecido, conta um pouco de sua história com a fotografia. Além de fotografar, Turin também é cantor profissional. Canta boleros, guarânias e sambas canções. Já teve um programa na rádio difusora, em outras épocas, com o nome de “Roberto Turin Canta Prá Você”. Seu principal hobby é cozinhar. Mas essas são outras histórias que conto em outro momento. Sirva-se.

 

Como a fotografia entrou em sua vida?

Na realidade, eu já venho de uma família de fotógrafos. Meu pai entendia bem de fotografia, era retratista e na época em que fotografava vendia muitas fotos. Usava aquela câmera de fole. Eu aprendi muito da profissão com ele. Comecei a fotografar com mais ou menos vinte anos. Em 1956 entrei nas Indústrias Dedini e já fotografava ou pelo menos entendia um pouco de fotografia. Fui aperfeiçoando minha técnica fotográfica na fábrica, lá trabalhava com raios-X industrial, eu radiografava peças para a usina e então havia um laboratório fotográfico onde eu revelava os filmes dessas fotos. Em 1972, montei meu estúdio na Avenida Rui Barbosa. Até hoje estou nesse endereço.

Além de seu pai, você tinha ou tem mais referências na fotografia?

Eu admirava o Idálio Filetti, Lacôrte, Cantarelli, observava o trabalho deles. Tinha aqui na Vila Rezende um fotógrafo que me ajudou muito, chamavam-no de “Mário Curvinha” era o Seu Mário Crivelani, era proprietário de um estúdio bem no começo da Av. Rui Barbosa. Foi o meu maior incentivador, com ele aprendi muita coisa e recebi uma ajuda incalculável tanto na profissão como na vida pessoal. Quando abri meu estúdio ele foi muito legal, me orientou bastante. Agradeço o Seu Mário por toda a minha vida. Infelizmente já faleceu há mais de dez anos.

Como era o trabalho no estúdio?

Eu fazia de tudo. De 3×4 até pôster. Além da técnica, eu tinha todas as máquinas especiais, filmes, chapas. Eu copiava e ampliava em meu laboratório fotografias de até 1 metro. Virava o ampliador para a parede, projetava e revelava. Usava banheiras grandes de 1 metro e meio. Fazia tudo na mão. Às vezes ficava o dia todo no laboratório trabalhando em alguma reportagem de casamento.

Além de fotógrafo, você também abriu uma loja de produtos fotográficos. Conte-me um pouco desta experiência de ser lojista.

Eu quis unir o útil ao agradável. Tendo uma loja, além das vendas, eu posso expor o meu trabalho como fotógrafo para o público. Foi e continua sendo muito bom ser lojista.

Fachada do Foto Turin.

Você tem uma coleção de câmeras fotográficas. Qual foi a primeira câmera que usou profissionalmente?

Teve uma época, em 1955 mais ou menos, eu trabalhava com uma Kodak que era de fole, chamava-na de “Kodak Turista”, eu até tenho em minha coleção. Depois do fole fui pra Yashica A, após um tempo usei uma da marca Olympus e então comprei uma Rolleiflex. Foi a que mais gostei de trabalhar. Ela tinha uns negativos grandes, a foto ficava perfeita. Então vieram as “reflexs” que uso até hoje.

Rolleiflex. Ao fundo sua coleção de câmeras.

Alguma história curiosa na profissão?

Existem muitas. Na Igreja Matriz da Vila Rezende aconteceu um caso desagradável, principalmente para a noiva. Durante a cerimônia ela desmaiou. Já havia um atraso de 30 minutos, por parte dela e o padre também tem horários para cumprir. Acredito que pelo nervosismo em acreditar que o padre não realizasse a cerimônia, apagou bem no momento de sua fala. O noivo tentou segurá-la, mas era uma noiva bem “fortinha” e ele quase caiu junto. Depois vim saber o motivo da confusão. Quando mandou fazer o vestido, estava no começo da gravidez. No dia do casamento, meses depois, a roupa não entrava. Esse foi o motivo do atraso e a consequencia foi o desmaio.

Tem outra história. Um colega meu caiu bem no meio da igreja. Estava me ajudando a fotografar, eu o vi se afastando pelo corredor para fotografar o altar quando uma criança atravessou seu caminho e o coitado caiu de costas com máquina e tudo mais.

Já aconteceu de roubarem meu equipamento fotográfico, que estava dentro do carro em frente a uma igreja. Felizmente os filmes estavam comigo e o cliente não foi prejudicado.

Com mais de 50 anos de profissão, já fotografou gerações da mesma família?

Fotografando um casamento, no ano passado, veio uma senhora e me disse: “Olha Seu Turin, você já fotografou o meu casamento, da minha filha e hoje está fotografando da minha neta”. Fiquei muito feliz em ouvir isso, mas ao mesmo tempo pensei: “Nossa! Estou ficando velho” (risos).

O que não fotografou, mas pretende fotografar?

Minha área de atuação é evento; casamento, aniversário e festas em geral. Nunca fui fotografar no Morumbi, mas gostaria. Tive chance, pois tinha credencial de repórter. No Maracanã era um sonho, mas não deu certo. Acredito que todo fotógrafo gostaria de ir até lá e fotografar um bom jogo de futebol. Mas, não tenho muito disto de querer fotografar lugares. Sou um fotógrafo comercial, não tenho pretensões de ser artista com a foto. Não quero fazer arte com a fotografia. Deixa isso para os artistas. Eu faço dessa arte o meu modo de viver e até hoje estou nesta luta.

O que a fotografia representa em sua vida?

Começou como curiosidade e no fim é uma arte que virou meu modo de viver. Conheci muita gente, muita gente com alma. Através da fotografia você enxerga a alma das pessoas. Quando vou fotografar e olho nos olhos de quem está na frente da lente, consigo analisar o amor, a vontade de viver dessa pessoa. Isso para mim que é fotografia, uma paixão, paixão e paixão.

Edição de texto: Luana Costa

Anúncios
Etiquetado ,

3 pensamentos sobre “Turin

  1. Luana disse:

    Revelar fotos em banheiras de 1 metro e meio?
    Putz, que bacana!

  2. dalva vespaziani disse:

    SR.TURIN MINHA MÃE NASCEU EM VILA RESENDE FAMILIA SIGOLI CHAMAVA-SE ADELIA SIGOLI SEU PAI TRABALHAVA NA ESCOLA AGRICOLA JOAO SIGOLI SUA MÃE ERA PARTEIRA CHAMAVA-SE ANA SIGOLI ELA EM UMA SOBRINHA CHAMADA APARECIDA O SR POR ACASO CONHECEU? O SR TEM FOTOS DESSA FAMILIA? ME RESPONDA OBRIGADA SAUDE FQ COM DEUS. MEU IMAIL . dalvavespaziani@hotmail.com

    • Honoria Maria Sandoval de Castro disse:

      nao sei se preenchi suas espectativas, mas a familia do meu marido por parte de sua avo materna ,tem o sobrenome Siguli,.Ha muito venho procurando os seus parentes .A avo materna do meu marido se chamava Maria Siguli ,esposa de Antonio Michelmann. Filha de Joao Siguli e de Linda Livieri. Qualquer duvida entre em contato comigo. O meu email e honoriacastro@hotmail.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s