Nelson Campos

Olá, caros.

Hoje a prosa é com o fotógrafo Nelson Campos. Piracicabano, 56 anos de idade, casado com Augusta de Campos, tem dois filhos e atualmente conta com dois netos, um menino e uma menina. Este ano Campos completa 40 anos de profissão. Conheça um pouco das histórias desse fotógrafo que passou pela redação do Diário de Piracicaba, foi sócio de dois estúdios fotográfico com dois ótimos fotógrafos piracicabanos na década de 80 e um dos pioneiros na fotografia digital de Piracicaba. Hoje, especialista em fotografia publicitária e industrial. Campos é um fotógrafo atualizado, ganhou prêmio internacional com fotografia de natureza e também de manipulação fotográfica com o software Photoshop, mas está preocupado com os rumos da fotografia em sua área. Saiba o por que e conheça mais histórias desse personagem piracicabano que fez e continua a fazer recortes de nossa querida cidade.

Inté.

Nelson Campos. ©2011. Fábio Mendes

Como foi o inicio com a fotografia?

Eu comecei na fotografia como hobby. Tinha 16 ou 17 anos. Meu tio era fotógrafo no Mirante, era um lambe-lambe. Chamava-se Sebastião. Fazia umas fotinhas que revelava dentro da máquina caixão. Igual tem em Pirapora, ele fazia aqui no Mirante. Desde criança eu o via trabalhar. Mas na adolescência quem me deu as primeiras dicas foi o Paulo Kawai do Foto Fuji, com quem eu tinha muita amizade. Comprava equipamentos e químicos para revelação com ele. Eu tinha umas câmeras antigas, de filme 127, e comprava revelador e ampliador para revelar as minhas próprias fotos. Apaixonei-me.  A imagem, quando começa a aparecer no revelador, é uma mágica. Cativou-me. Envolvi a minha vida nisso. Descobri o meu caminho. É apaixonante. Eu comprava livros técnicos para me aperfeiçoar, mas percebi que sem uma escola eu não progrediria. Larguei os meus estudos aqui em Piracicaba e fui para São Paulo atrás de conhecimento. Fui trabalhar em uma importadora de equipamento fotográfico e entrei na escola de fotografia do Senac, que hoje transformou-se em faculdade. Isso foi em 1972. Fiz um ano de curso. Vi desde o princípio da fotografia, estúdio, externa, iluminação, revelação colorida… Foi um ano “puxado”. Valeu a pena. Voltei para Piracicaba por causa de uma fatalidade. Eu morava perto do edifício Joelma e quando pegou fogo fiz umas fotos e vim pra Piracicaba. Trouxe as imagens para o jornal Diário de Piracicaba que foram publicadas. Nesse momento convidaram-me para trabalhar no jornal. Fiquei tão traumatizado pelo incêndio que aceitei o convite.

Mulher sendo salva por homens do Corpo de Bombeiros em enchente na Rua do Porto – Piracicaba na década de 80. Foto: Nelson Campos.

Quando entrou para o Diário havia mais fotógrafos na redação?

Tinha o Henrique (Spavieri) que era o antigo “clicherista”. Como não havia mais essa função, pois o novo processo era em offset, ele começou a fotografar também. Trabalhamos juntos por seis meses até que ele foi chamado pra prefeitura e deixou o jornal. Fiquei sozinho. Fotografava os eventos sociais, acidentes de veículos na madrugada. Uma vez fui até de paletó e gravata fotografar um acidente, pois eu estava trabalhando em um evento de grande porte e no meio da festa fui chamado para a ocorrência. São coisas da vida. (risos).

Protesto de estudantes, na praça José Bonifácio, por melhor ensino. Foto: Nelson Campos.

Como era a rotina de trabalho no Diário de Piracicaba. Quem eram os editores e repórteres enquanto ficou por lá.

Entrei no começo do ano de 1973 e o hoje dono de A Tribuna Piracicabana, Evaldo Vicente, era o revisor. O Mário Terra era o colunista social. Cecílo Elias Neto, o proprietário. Tinha o Roberto Cera que fazia uma página chamada recados, que foi um dos idealizadores do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. O Cera fazia novelinhas, iguais vemos em quadrinhos, mas com fotografias. Contava histórias com as fotos. Era gostoso, foi a empresa que trabalhei com mais liberdade e prazer. Acredito que todos os fotógrafos e repórteres que passaram por lá tem a mesma opinião. Não havia ditadura nas editorias. Eu fiz uma matéria, não foi publicada, houve risco de morte. Eu com o falecido Ari Gomes, um excelente repórter, começamos a investigar sumiços de crianças na cidade de Piracicaba em 1981. Chegamos bem próximo da pessoa que sequestrava as crianças. Porém alguém foi falar com o editor, que era o Cecílio, que nos aconselhou a parar, pois algo de ruim poderia acontecer conosco. Foi um desestímulo, sabendo que a nossa vida corria risco de morte. Fazíamos a reportagem por conta própria, mas dessa vez o Cecílio nos obrigou a parar com a investigação.

O cantor Ney Matogrosso durante show em Piracicaba. Foto: Nelson Campos.

E após o Diário?

Eu tive duas fases no Diário. Trabalhei de 1973 até 1975. Depois montei um estúdio, quando o Diário mudou da rua Prudente de Moraes para a rua São José. Por coincidência o meu estúdio era bem em frente ao jornal, na rua São José. Fiquei com o estúdio por três anos quando o Diário me chamou novamente, em 1980. Fiquei até o final do ano de 1981. Jornal é ótimo, excelente, mas você trabalha 24 horas por dia. Você é um eterno jornalista. Quando pensa que está de folga acontece algo na sua frente e não tem como não fazer. A remuneração também é baixa. Por toda a dedicação do jornalista, a remuneração é baixa. Daí, parti para a fotografia publicitária. Abandonei o jornalismo. Se continuasse, trabalharia a vida inteira e não teria nada. Já tinha dois filhos e precisava de mais dinheiro para poder criar bem as crianças.

Teve uma foto que fez de um atropelamento. Como aconteceu?

Essa foto foi feita em 1980 ou 81, não me lembro a data precisa. Saí do Diário, na rua São José, para ir até a Unimep, na rua Boa Morte. Fui caminhando. No abrigo de ônibus, atrás da Igreja Catedral, eu vi que um senhor de idade ia atravessar a rua. Atravessou sem olhar se vinham carros. Vi um carro que não conseguiria parar. O instinto me levou a fazer uma sequência de fotos. Fotografei toda a cena, ele sendo atropelado, arremessado, caído no chão cheio de sangue, até as pessoas olharem de perto e chegar o resgate. Imediatamente voltei pro Diário e não fiz a matéria na Unimep. O atropelamento era um acontecimento mais importante. Na vida de um repórter-fotográfico isso acontece de quinhentos fotógrafos para um. Revelei as fotos, falei com o Mário Evangelista, que era repórter do jornal nessa época, e ele já foi buscar as informações na polícia para escrever a matéria. Pronta a matéria, fomos publicá-la quando o editor-chefe, Luiz Tomazi, que trabalhava na Folha de S. Paulo e veio para o Diário, viu as fotos e disse: “Não, isso não pode ser publicado”. Questionei e ele me disse que era muito chocante. Permitiu que saísse apenas uma fotografia com a notícia. Escolhemos a foto e publicamos. No outro dia publicamos outra foto e acompanhávamos o estado de saúde do atropelado, que estava muito mal. No terceiro dia publicamos outra e no quarto dia ele veio a falecer. Conseguimos publicar quatro fotos, mas uma em cada dia. Dessa forma, o editor disse que não chocaria as pessoas. Alguns dias depois, houve o atentado contra o papa, João Paulo 2º, que levou um tiro. O editor, que proibiu de publicar a sequencia fotográfica do atropelamento, me pediu para fotografar o atentado na televisão, que era o recurso que tínhamos na época. Esperei aparecer na TV e fiz as fotos. Revelei o filme e entreguei uma fotografia para o editor. Então ele me perguntou sobre as outras fotografias. Perguntei a ele, por que ele queria as outras fotografias? Ele me disse que queria todas as fotografias. Encerrei dizendo que ele iria publicar apenas uma, pois o atropelamento foi chocante, mas o tiro que deram no Papa foi muito mais chocante. Se ele morresse, no outro dia ele publicaria outra foto e, se não morresse, também publicaria. Igual o atropelamento. Daí houve uma grande discussão, nos desentendemos, mas não foi por isso que saí do Diário, a briga, e sim o desestímulo em ter um trabalho que jamais iria acontecer novamente, ter sido cortado. Pedi demissão e fui fazer fotografia publicitária, que é o que mais gosto de fazer. Mas no jornal tem histórias que faz a gente dar boas risadas. Chegava de uma matéria, revelava o filme, mas demorava a secar e não tinha tempo para esperar. Eu tinha uma técnica. Passava o filme no álcool, erguia-o com as mãos, botava fogo embaixo ele subia e quando chegava à outra ponta em cima, balançava, apagava e estava seco. Já ampliava a foto, o importante era a agilidade a rapidez e não a qualidade. Tomazi trouxe um fotógrafo da Folha, Toninho, um senhor de idade avançada, e ele me viu fazendo isso. Na Folha ele era simplesmente fotógrafo, não precisava revelar, lá tinha o laboratorista. Aqui não, ele tinha que revelar. Um dia ele chegou ao jornal depois de fotografar um jogo do XV de Piracicaba, era umas 22h ou 23h, e precisava revelar a foto para sair no dia seguinte. Passou álcool no filme só que o segurou esticado. Aquilo virou um torresmo. Perdeu todo o serviço. O jornal ficou sem foto do XV. (risos)

Retrato do rei Roberto Carlos. Foto: Nelson Campos.

E então você saiu novamente do jornal. Montou outro estúdio?

Sim. Montei o único estúdio na época que tinha gerador e cabeça de flash. O Christiano Diehl virou meu sócio. Ficamos dois anos e meio juntos. Fazíamos publicidade, embora tivéssemos e temos ainda um grande problema com jornais. Ficamos 25 anos sem ter uma agência publicitária em Piracicaba. O jornal vendia o espaço, dava a arte e a fotografia, fazia tudo. Como é que uma agência iria cobrar se o jornal dava de graça? Limeira tinha agência, Rio Claro, Americana, todos os lugares tinham. Já Piracicaba não havia condições de uma agência sobreviver. A publicidade aqui tinha espaço quando era folder, catálogo, mas era pouco serviço. Teve uma agência que ficou um bom tempo, mas pereceu por pouco serviço. No estúdio procurávamos fazer books, pôsteres e uma série de coisas para sobreviver, e esperava as fotos publicitárias que aos poucos foram chegando.

Cartão natalino. Foto: Nelson Campos.

Assim era o mercado na década de 80?

Para a fotografia industrial era excelente. Hoje pega um menino, vai numas dessas casas que vendem computador em trinta prestações, uma câmera de R$ 2 mil reais – a câmera e o flash são automáticos – no computador faz “alguma coisinha”, envia para o laboratório que corrige o que continua errado e faz a sua fotografia. Julga-se um fotógrafo, não que não seja, pois está exercendo a profissão, mas não tem o conhecimento necessário. Não sabe o que acontece quando aperta o botão, por que aquela luz, por que não. Eu comecei no digital em 1998. A primeira câmera que comprei, tenho a nota fiscal, em Nova Iorque, paguei 3.900 dólares. Tinha 1.75 megapixels. Foi a primeira câmera profissional que trocava objetiva. Eu estudei toda a transição do analógico para o digital. A partir de 2000 comecei a trabalhar com fotografia digital, desisti do analógico. Mas antes dessa mudança, ganhava-se muito dinheiro, o fotógrafo tinha que ser fotógrafo. Tinha que ter o seu laboratório, pois um não revelava para o outro fotógrafo. Tinha que saber o que fazia. Na publicidade usávamos cromo ou slides, como alguns chamam. Eram grandes, 6×6, 6×9 e não permite erro. Só o fotógrafo conseguia. Ninguém se atrevia a fazer. Nessa época fotógrafo ganhava muito dinheiro. Com as indústrias era só cromo que dava para fazer em impressão colorida na gráfica. Não havia outra opção.

Foi difícil se adaptar a outra tecnologia?

Não. Comecei a usar o Photoshop em 1997. Fiz cursos com profissionais americanos, como Dean Collins, um dos melhores fotógrafos do mundo, exclusivo da Hasselblad, Kodak e General Motors. Então fui estudando. Acompanhava e pesquisava bastante. Quando eu abri a minha lojinha para fazer foto documental, que a minha esposa “toca”, eu escrevi na parede, foto digital. Muita gente passava inclusive fotógrafos e riam de mim. Eles falavam: “Ah, é foto digital, vou aí e coloco o dedo?”. Ouvi muito isso (risos). Não tinham noção do que era, mesmo sendo fotógrafo. Eu estava adiantado, quando ainda pensavam em adquirir câmeras analógicas, já tinha vendido as minhas. O futuro era digital.

O fotógrafo posa ao lado da atriz Pepita Rodrigues. Arquivo pessoal.

Trabalhou com fotografia social?

Sim. Em 1983, quando eu saí do Diário, montamos um estúdio, o Henrique Spavieri e eu. Chamava Spavieri Studio e fazíamos muito social. Todo final de semana tinha casamento, aniversário de 15 anos e tal. Só que chega um momento, eu não vi os meus filhos crescerem, quando percebi já estavam grandes, queria os finais de semana para mim. Hoje, tenho um espaço em casa, onde recebo meus amigos, fotógrafos, gosto de receber pessoas e para isso não posso ficar pegando casamentos. Se o casamento é no sábado, tenho que ficar concentrado na sexta-feira, nada de comer comida diferente, bebidas, pois existe o risco de passar mal no dia seguinte. Uma concentração de 48 horas. Isso não dá mais para mim.

Um momento marcante na profissão.

Foi o atropelamento que já citei. A inauguração do autódromo de Jacarepaguá, em 1978, quando o Emerson Fittipaldi ficou em segundo lugar. A única vez que foi ao pódio ali. Alguns acidentes de carro, na época do jornal. As imagens ficam na mente. Algumas não são boas. Lembro da história do fotógrafo (Kevin Carter), que fez uma imagem de uma criança fraca com um corvo ao fundo esperando ela morrer. Logo depois ele se suicidou em função disso. São imagens que ficam e mexem com a gente. Tem pessoas que falam que acostuma. Mas não é bem assim, nos machuca.

Você ganhou um prêmio internacional. Qual foi o tema?

O tema foi natureza. Ganhei o prêmio em Washington sem imaginar essa possibilidade. Aqui em Piracicaba teve uma mostra que depois virou um concurso com o título “O Verde de Piracicaba”. Participei e não que tinha feito a melhor fotografia, mas jurei para mim que jamais participaria de qualquer concurso fotográfico no Brasil. O que aconteceu foi inexplicável. Um cara que não era fotógrafo pegou uma câmera e foi até o mercado. Ele fotografou um pé de alface com um preço absurdo, caro, extremamente caro. Ganhou o concurso. O verde de Piracicaba, um pé de alface, R$ 10 reais. Havia fotos maravilhosas. Nunca mais eu participaria de concurso. Aí recebi um e-mail com esse concurso nos EUA. Mandei uma foto completamente despretensiosa. A flor de uma árvore que tem muito por aqui, principalmente na Rua do Porto, onde eu fotografei. Essa flor nasce em cima da árvore. Só que nos EUA não existe essa árvore. Ficaram curiosos. Começaram a enviar várias perguntas e fui respondendo. Tive que buscar informações na Esalq para o que eu não sabia, como o nome científico da árvore e fui abastecendo as dúvidas deles. Acredito que o prêmio não tenha sido pela qualidade visual e sim pela raridade da flor. Fiz a imagem com uma tele de 500 mm. Só que infelizmente não recebi o prêmio, que era 5.000 dólares. Para eu ir pra lá, ficava em 7.000 dólares, pois tinha que ficar uma semana em um hotel e participar de convenções. Eu tenho um filho, que na época morava em Chicago, fica perto de Washington, e ele se prontificou em buscar para mim. Mas a organização não autorizou, pois tinha que fazer matérias e entrevistas comigo. Disseram que o “pessoal” da National Geographic gostariam de me conhecer. Então deixei pra lá. Não compensava.

Foto premiada em concurso internacional. Foto: Nelson Campos.

Pra você, que é um visionário, qual o próximo passo da fotografia?

Estou estudando e não sei se a minha cabeça acompanha, mas o próximo passo é o 3D. Eliminará 80% da fotografia. Por exemplo, se alguém pede uma fotografia de um carro, a fábrica tem o desenho dele em 3D. Com isso em mãos é só jogar em um software específico, colorir o carro e ambientar. Qualquer objeto que você tenha o desenho em 3D, dá para por textura, cor e tudo mais. Depois de pronta acha que é uma fotografia do objeto, mas é tudo virtual. Esse é a próxima etapa da fotografia digital. Os grandes estúdios já trabalham assim, mas acho que eu não vou conseguir. É muita informação. Eu participo do Photoshop Conference, o maior evento de Photoshop da América Latina. Vou lá e fico nas primeiras duas horas do dia, pois começa às 9h e vai até as 19h, param só uma hora pro almoço, e consigo assimilar. Depois não dá mais. São “baldes” de informações. Photoshop é um instrumento ilimitado. Eu duvido que alguém acompanhe todo o evento e consiga assimilar tudo. Você vê o Alexandre Keese, um dos maiores operadores de Photoshop, falando duas horas, é impressionante o que ele conhece. Faz assim, faz assim, faz assim, pronto, está feito! Coisas que demoro 40 minutos para fazer, ele faz em dois minutos. Vou aprimorando, mas chego a um ponto que a minha cabeça não assimila.

Algum projeto?

Estou com um projeto de fotografar a Patagônia. Tive convites para ir a Machu Picchu, tenho um convite para fotografar todo o interior do Brasil. Mas são muitos dias fora. Não tenho condição financeira de ficar sem trabalhar por 20 dias. No convite não pago nada, mas não posso me ausentar por tanto tempo. Eu quero ir para a Patagônia. Fui convidado por duas vezes. Estou me preparando, logo vou. Eu vendo muitas fotografias que faço em hora de lazer, principalmente para decoração. Painéis de três, quatro, cinco metros. Nos finais de semana levanto bem cedo, pego a minha câmera, chamo minha esposa e vamos entrando pro meio do mato. Uma vez peguei uma estrada de terra em Charqueada-SP e fui sair no Anhembi-SP. Nesse passeio vendi quatro fotografias. Das cachoeiras de Brotas-SP tenho bastante foto. Hoje não desço mais nas cachoeiras. Descer até desço, mas subir não dá mais (risos).

Quais são as suas referências na fotografia?

Na publicidade tenho como espelho, que infelizmente já faleceu, Dean Collins. Fiz um curso com ele, foi maravilhoso. Aprendi muito. Guardo os livros e apostilas até hoje. O curso chamava Sobre a anatomia de um estúdio, muito bom. Tem um fotógrafo de Piracicaba, que é muito bom, mas pula muito de ramo, que é o Tadeu Fessel. Admiro o Christiano Diehl. Agora, ímpar se chama Pauléo. Embora tenha começado a fotografar bem depois de mim, entrou no jornal como entregador. Você pode chamar 30 fotógrafos e pedir para fazer uma foto específica. Os 30 fazem. Se for o Pauléo ele tira uma fotografia e diz: “Está aí a foto” e resolve. Gosto muito dele. Gosto e admiro. Ele não fez curso e nada, mas tem uma visão diferente.

Trabalho publicitário. Fotos: Nelson Campos.

O que a fotografia representa em sua vida?

Representou o meu sustento e de toda a minha família. Tudo o que conquistei em minha vida foi por conta da fotografia. Não tive outro emprego. Mas a fotografia representa para mim a perpetuação de uma imagem. Agora virou moda pegar uma fotografia antiga de Piracicaba e decorar ambientes. Mas se não tivesse esse registro, não saberíamos como foi o passado. A fotografia é história. Tem que preservar a imagem, mesmo que esteja fora de foco ou tremida, preserve. Não tem outra definição, fotografia é a história. Antes, por conta da fotografia que era cara, temos poucas imagens do passado. Agora com o digital não temos mais nenhuma. Todo mundo tem uma câmera digital. Tiram 500 fotografias. Mas ele não sabe que ali na câmera ele tem um cartão de memória 1, 2 ou 3 gigabytes e quer tirar 2.000 fotografias nesse espaço. Para isso reduzem a resolução, fotografa, “põe” no computador e acha linda. Vá imprimir. Não existe condição! Isso quando não apagam a foto por falta de espaço no computador. A fotografia digital, enquanto virtual, para se perder é a coisa mais fácil do mundo. Pega um CD, riscou, não lê mais e perde tudo. Eu acredito que vamos ficar uns 15 anos sem história. Eu sei de profissionais que guardam arquivos e outros que depois de dois anos jogam as imagens fora. Gravar em um DVD e deixá-lo quieto de cinco até sete anos ele suporta. Depois desse tempo, faça outra cópia para não perder as fotos. Esse pessoal amador que tira um monte de fotos e guardam em HD, entra um vírus tem que formatar e tchau tudo. Vai ter muita família que não vai ter foto do filho crescendo. Tirou 500 fotos? Escolhe 30 e revele. O papel dura 100 anos.

Site do Nelson Campos aqui.


Edição do texto: Rodrigo Alves

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13 pensamentos sobre “Nelson Campos

  1. Léo Rodrigues disse:

    Muito boa essa, Fábio! Excelente matéria, depoimento precioso e ótimo retrato. Abs!

    • Fábio Mendes disse:

      Léo, a ideia de entrevistar os fotógrafos piracicabanos, vai além do perfil desses personagens. Quero, com os depoimentos, conhecer e tentar mostrar um pouco mais da história de Piracicaba. Tarefa difícil, mas muito prazerosa. Em breve conversamos.

      Abraços e inté.

  2. Elcio disse:

    Perfeito Fabio, é isso ai, Nelsom Campos pessoa fantástica, nomes que citou então, realmente Pauléo, de tirar o chapeu, “sem pretenção de trocadilho” rsrsrsrs.Esse tem estória.

  3. Parabéns Fábio e Nelsinho ! ficou muito legal a entrevista !

  4. Roberto Antonio Cêra disse:

    Muito bom esse depoimento do Nelson. Fomos contemporâneos, quando “meninos”, em O Diário e ele fotografou as novelas que eu fazia, com outros colegas da empresa, os artistas. Eu, o diretor, usava o pseudônimo de Beto Marimbondo. De fato, era muito divertido e, hoje, quando os encontro, me perguntam se eu ainda possuo algumas daqueles páginas. Lamentavelmente, só me sobrou uma delas. Quase todos os meus arquivos foram devorados por uma invasão de cupins, em minha casa. Fotografar, naquela época, era uma arte difícil. Eu também fotografei para O Diário, além de redigir. Também tive o meu laboratório fotográfico e cheguei a química que utilizava, usando as orientações de um “Formulário Fotográfico”. Hoje, ficou tudo mais fácil. Todos se acham fotógrafos, usando seus celulares. Um abração, Nelson!

    • Fábio Mendes disse:

      Olá, Roberto.

      Me conta. Por que, Beto Marimbondo? Que pena sobre a perda do arquivo. Cupim, literalmente é uma praga. Sobre a facilidade em produzir imagens, sou favorável a tecnologia. Quanto a formação do profissional em fotografia, o processo continua o mesmo. Ficou mais fácil sim, mas não é só apontar e apertar o botão. Se o cliente ou uma empresa precisa de uma boa imagem, só um profissional resolve. Por enquanto… Que continue assim.

      Obrigado pela visita e inté.

  5. nelson campos disse:

    Ola pessoal, que bom que voces gostaram da entrevista, fiquei muito contente em saber quo o “CERINHA” leu, pena ter perdido as novelinhas, tenho uma foto ainda da época, quando fizemos sobre os parquimetros. lembro-me tambem quando a “DITADURA” completou 18 anos e fiz um recado questionando se “AGORA ELA SERIA RESPONSÁBILIZADA PELOS SEUS CRIMES”, e o CERINHA me falou, eu publico mas o pau vai comer em cima de voce. Mas não deu em nada, ainda bem.
    Um abração a todos e vamos marcar uma jantinha no meu recanto, tenho certeza que teremos muito a conversar.

  6. Justino Lucente disse:

    LEMBRO DO NELSON QUANDO ERA GERENTE DA LOJA QUE FICAVA EM FRENTE AO “O DIÁRIO”, E DA AUGUSTA, QUANDO TRABALHAVA NO MESMO JORNAL .
    ERA DONO DE UM ESTÚDIO E COMPRAVA MATERIAL DA TROPICAL CINE FOTO.
    BONS TEMPOS!
    VALEU!
    CONTINUE REGISTRANDO A HISTÓRIA, FABIÃO.
    MANDE UM ABRAÇO PARA O NELSON, GRANDE AMIGO.
    justino

  7. Matheus Bettiol disse:

    Fábio, parabéns pela entrevista. Ficou sensacional.

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