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Mateus Medeiros

Mateus Medeiros. © 2011. Fábio Mendes

A entrevista deste mês é com o fotógrafo Mateus Medeiros. Acima de um excelente profissional, tenho o Mateus como um grande amigo. Crescemos quase que juntos na profissão, ele um pouco antes de mim. Mateus carrega um coração imenso de amor, apesar do seu jeito “brucutu”, quem realmente o conhece sabe que é um doce de pessoa. Fiel aos amigos é um cara que os defende com unhas e dentes e faz da sua profissão uma filosofia de vida. Hoje Mateus fotografa para o Sindicato dos Metalúrgicos.

Conheça um pouco mais da história deste imenso fotógrafo piracicabano de 42 anos e pai de dois lindos filhos.

Boa leitura!

Como foi o início com a fotografia?

Eu nem imaginava que trabalharia com fotografia, tinha meus vinte e poucos anos e continuava sem uma profissão, estudava, mas estava procurando emprego. Fui ao Shopping Piracicaba, que tinha acabado de ser inaugurado, em 1991 para ver se encontrava algum trabalho, pois a minha mãe estava pegando no meu pé. Precisavam de um auxiliar para laboratório em uma loja de fotografia. Quando olhei aquele aquário (nome popular do minilab, pois é cercado por vidros) eu nem imaginava o que faziam lá dentro. Acho que foi destino trabalhar com fotografia. Entrei na loja e quem me atendeu foi o Humberto Alves de Oliveira, que era encarregado de minilab e me disse para voltar na próxima segunda-feira. De volta à loja com o currículo em mãos, descobri que o trabalho era revelar filmes fotográficos. Fiz um treinamento e deu certo. Foi o início. A loja era a Curt Laboratório Fotográfico, na época a maior rede de minilab da América Latina, a primeira loja de revelação em 1 hora de Piracicaba. Fui aprendendo e crescendo no minilab e de tanto ver câmeras fotográficas resolvi comprar uma, mas pedi ao Humberto alguma que só precisasse apertar o botão. Daí ele me questionou o porquê da facilidade e expliquei que eu não sabia fotografar. Pouco tempo depois, chegou à loja uma câmera Olympus “pretinha” que fazia tudo e com uma novidade, tirava os olhos vermelhos das pessoas. Ao lado desta câmera na prateleira havia uma Minolta Seagull que era reflex, com uma lente 50 mm, 1.4f. O preço da Minolta era alto e com o meu salário não conseguiria comprá-la, por isso nem me interessei. Disse ao Humberto que queria tirar retratos e fotos caseiras. Ele me disse para eu ficar com a Minolta, mas já respondi que ele estava louco, não conseguiria pagá-la. Também não iria conseguir mexer com aquela câmera. Foi quando ele disse que me ensinava. Coincidentemente dias depois desta conversa chegou um estúdio – na verdade uma cabine para fotos 3×4 – na loja e uma Nikon FM2 com uma “puta” lente 200 mm. Nas horas vagas o Humberto me ensinou a fotografar ali na cabine e o pessoal da loja começou a elogiar minhas fotos, “nossa que close bonito que você fez que expressão bonita que pegou da criança”, pensei, “caraca acho que é isso!”. Chamei o Humberto e disse a ele que ficaria com a Minolta, desde que me ensinasse. Foi então que me contou sua história, que veio de Goiás e que por lá fotografava casamentos. Ele tinha muita facilidade para ensinar. Só que em vez de comprar a Minolta, primeiro comprei uma Praktica MTL3 da Viviane, não me lembro o seu sobrenome, que tinha uma loja no bairro Vila Fátima e fazia fotos 3×4. Depois de um tempo guardei uma grana e aí sim comprei a Minolta. Eu fotografava de tudo, não saía de casa sem a câmera, a minha mãe achava que eu estava maluco, pois comecei tirar fotos de mosquitos no varal (risos). Pense eu com uma 50 mm fotografando esses mosquitos? Tinha que me aproximar bem, claro que na maioria das tentativas o mosquito ia embora, registrar um era difícil (risos). Fotografava flores e fiz muitas fotos da minha mãe. Profissionalmente comecei com fotos sociais, casamentos, aniversários e batizados e este último foi o primeiro trabalho que fiz.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Como captava os primeiros trabalhos?

Não me sentia seguro para fechar contratos era muita responsabilidade. Eu fotografava para o Francisco Franco, mais conhecido como Chico do Jupiá. O Grande Hotel em Águas de São Pedro era seu cliente, trabalhei anos ali. Pela loja eu captava meus clientes. Neste momento já tinha o meu flash Frata 140. Ah, também trabalhei para o Wlade, com ele fotografei várias formaturas.

Como se aperfeiçoava tecnicamente? Fazia cursos, frequentou alguma escola especializada?

Eu consumia muito fotografia, mas em livros, revistas e vídeos. Paguei caríssimo de uma vídeoaula da revista Iris Foto.

Você disse que começou a fazer fotos de eventos sociais, mas era um trabalho paralelo à loja em que trabalhava?

Isso. Na Color Center que mudou de nome para Quality Color, hoje Quality Fotografia, com o tempo fui recebendo as promoções de cargo. De auxiliar fui para revelador e mais tarde promovido para impressor. Como impressor eu aprendi muito com a fotografia olhando para os negativos revelados, já sabia quando estava sub-exposto, super-exposto e a correção que eu teria que dar para fazer a impressão daquela imagem. Com isso eu previa nas minhas fotos os erros que não poderia cometer. Como impressor eu ganhava bem, então investi em equipamento fotográfico. Comprei uma Canon EOS-5 e um flash Canon 540. Descobri o que eu queria fazer da vida, fotografar.

Geraldo Alckmin angariando votos em Piracicaba Rio das Pedras no famoso cafézinho. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Quanto tempo trabalhou em minilab?

Trabalhei três anos na Color Center e então ela faliu. A Quality Color comprou a loja e fiquei por mais seis anos. Saí por um tempo, voltei quando abriram uma loja na rua Governador Pedro de Toledo e fiquei mais três anos. Saí e voltei novamente por mais um ano. Eu saía para comprar equipamento com o dinheiro da rescisão salarial. (risos)

Como entrou para o fotojornalismo?

Trabalhando na Quality Color conheci o Samir Baptista, que estava começando na fotografia também. Conversávamos bastante e um dia ele me disse sobre o Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo e a opção de conseguir uma MTB (carteira nacional de jornalista é um documento de identidade, válido em todo o território nacional e só poderá obtê-la o profissional que tenha registro no Ministério do Trabalho) para trabalhar na imprensa. Até então eu nunca tinha feito um trabalho para jornal, mas eu acreditava que era fácil. Quando saí definitivamente do laboratório, comecei a frequentar o Buda Som, loja de fotografia do Henrique Spavieri e do Christiano Diehl. Fiz amizade com eles e nesta época conheci o Bolly Vieira e o Alessandro Maschio. O Spavieri começou a me chamar para fazer alguns trabalhos para ele e então me despertou a vontade de trabalhar em jornal. Movimentei-me para me sindicalizar e tirar a MTB, mas para isso eu precisava de um portfólio com fotos jornalísticas. Conversei com o Spavieri sobre as fotos e comecei a fazer alguns trabalhos para ele voltados para o fotojornalismo. Fiquei sabendo que dariam um curso para repórter fotográfico no Sindicato dos Jornalistas onde no final dariam a tão sonhada MTB. Avisei o Samir e fomos lá fazer. Não foi fácil, foram quatro finais de semana em São Paulo. Juntava a grana da semana que ganhava pelos serviços que eu fazia para o Spavieri,  Bolly e viajava.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Como era este curso que premiava com uma MTB?

A procura pelo documento era muito grande, pois sem ele você não conseguiria emprego em nenhum jornal. Daí abriu este curso, uma exceção para os fotógrafos que não tinham diploma. Foi uma porta para conquistar a MTB. Fiz o curso, não perdi uma aula e a prova final era fotografar em São Paulo como se fosse para um jornal. Detalhe, fotografar em cromo, não tinha chance era “foder” ou acertar. A pauta era: o que os paulistanos fazem para se divertir aos domingos. Formamos um grupo que não conhecia a cidade e nos disponibilizaram um instrutor. Ninguém gosta de ficar junto, fotógrafo é individualista para capturar a sua imagem. Levaram-nos ao bairro Bom Retiro e na Av. Paulista, tinha que entregar o material, às 15h30 e, às 14h30 estava na Paulista ainda. O instrutor nos tranquilizou e disse que daria tempo, mas as imagens tinham que ser entregues com legenda, explicar o que era a foto e as informações do local fotografado para um editor que estaria nos esperando. Com meia hora de antecedência chegamos ao sindicato. Organizei o material, mas sentia que eu não conseguiria passar. Eu estava muito inseguro na hora de fotografar, da chapa vinte até o final do rolo, coloquei a câmera no modo programa e “taquei o pau”, assim perdi o curso. Errei, tinha muita área de sombra e como eu disse o cromo não aceita erros. Fui conversar com o editor e ele me disse que até a chapa dezenove eu fui bem, as restantes não havia condições. Fui reprovado e o Samir aprovado. Toda a grana investida, boa parte a minha irmã que me ajudou, foi uma ducha de água fria em minha cabeça.

Voltei para a cidade, continuei com os meus trabalhos com foto social, com o Spavieri e comecei a fazer bastante trabalho para o Bolly. Direto eu perguntava a ele sobre uma possível vaga no Jornal de Piracicaba. Eu perguntava para todos os fotógrafos de lá. Diziam-me que era difícil entrar e o grupo de fotógrafos era bem fechado, mas um grupo do bem! Continuei os meus trabalhos, vários para o Spavieri, ele começou a me inserir no meio jornalístico. Nesse tempo voltei a ligar no Sindicato dos Jornalistas para saber se haveria mais curso para fotógrafo. Deu certo de ser a mesma pessoa de quando eu fiz e ele disse que me encaixaria em uma nova turma. Fui lá, mas desta vez foi diferente. O pessoal do sindicato sentiu a minha necessidade pelo documento e estavam menos frios comigo. Eu também estava mais preparado para o curso, antes da viagem fotografei muito cromo aqui em Piracicaba para me dar mais segurança. A pauta desta vez era moradores de rua. Passei tranquilo.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Quanto tempo foi entre os cursos, do primeiro para este último?

Foram três meses. Eu me encontrava com o Bolly na loja Spavieri na rua Boa Morte e avisava-o que logo estaria com a MTB, ele me dava a maior força. Quando liguei em São Paulo para saber do resultado me disseram que fui aprovado, até chorei de emoção. Não foi fácil para eu tirar a MTB.

Você trabalhou bastante com o Henrique Spavieri. Como é esta amizade?

A minha amizade com o Spavieri é de pai para filho. Ele me acolheu quando mais precisei, me ajudou muito. Também ajudei muito ele, foi uma troca justa de trabalhos. E hoje somos muito amigos.

Mateus Medeiros, Reniza e Henrique Spavieri. © 2006. Fábio Mendes.

Voltando a sua história, veio o Jornal de Piracicaba. Como foi a experiência em redação?

Foi difícil entrar para trabalhar ali. Fui amadurecendo a ideia de um dia poder trabalhar no JP. Os fotógrafos dali eram unidos, se respeitavam muito. Quando entrei pude perceber o que foi essa união. Assim que eu conquistei a MTB eu ficava enchendo o “saco” do Bolly para ele me contratar. Na época quem comandava o JP era o Lourenço Tayar. O Bolly conversava comigo, me dizia que precisavam de outro fotógrafo, para fazer as fotos do departamento comercial e era para eu ter paciência. Fiz amizade com os outros fotógrafos de lá e eles sentiram a minha vontade e sabiam que eu teria muito que aprender. Mas a minha esperança estava se esgotando. Já estava um ano e meio com a MTB e nada de JP. Eu já tinha a minha filha e precisava trabalhar, a grana dos freelancers não dava mais. De repente aconteceu uma mudança radical no JP. Muita gente saiu e dentre estes estava o fotógrafo Pauléo. Pouco tempo depois o Bolly me ligou, pediu para eu ficar na retaguarda, pois a vaga iria abrir. Passou uma semana e eu agoniado. Até que ele me ligou, pediu para nos encontrarmos na loja Spavieri e que iria me levar até o jornal. Também avisou que era para levar o meu portfólio e fui lá com ele, uma pasta gigante cheia de fotos. Deu tudo certo. Ele disse que eu faria as fotos comerciais do jornal no lugar do Marcelo Germano que tinha ido para a redação no lugar do Pauléo. Com o tempo e aos poucos o Bolly disse que eu entraria para a redação, assim não me “fritaria” se me jogasse ali dentro sem experiência, começaria pelas beiradas. Ótimo! Em nenhum momento questionei, fui para o comercial. O editor do JP nesta época era o Mário Evangelista. Isso foi em 2001.

Cresci muito no JP não só profissionalmente, mas também na ética. Aprendi a respeitar mais os espaços das pessoas com o Marcelo Germano, Alessandro Maschio, Bolly e Henrique Spavieri. O que me favoreceu ali dentro é que não estacionei. As oportunidades que apareciam ou que o Bolly me dava, eu abraçava. Fazia o trabalho e o Bolly gostava do resultado. O editor Mário Evangelista era uma pessoa muito exigente, todo mundo cresceu trabalhando com ele, o Bolly me falava que jornalisticamente o JP havia dado um salto.

Tomei muita “porrada” no aprendizado para trabalhar em uma redação, mas sempre tive o apoio dos amigos fotógrafos, principalmente do Bolly, nosso editor de fotografia, que segurava a bronca. Precisava chorar, era ali com ele, só que quando tinha que cobrar ele fazia isso bem. Trabalhava com muita gente, era editor de repórter, editor de caderno, editora chefe, tinha que trazer um produto bom da rua, muita gente iria avaliar o resultado. O Bolly me deu muita força, dizia que me daria uma pauta e que eu conseguiria resolver. Eu pegava a pauta e destrinchava. Hoje digo que os fotógrafos com quem trabalhei no JP são meus irmãos e só tenho a agradecer a empresa que foi sempre ótima para mim. Foram oito anos e dez meses e trabalhar no JP foi um sonho realizado.

Marcelo Germano, Bolly Vieira com seu filho Francisco, Mário Evangelista, Henrique Spavieri, Mateus Medeiros com o seu filho Lucca e Alessandro Maschio. © 2008. Fábio Mendes.

Uma história marcante com a fotografia?

Quando eu comecei a me despontar no JP, não ser melhor do que ninguém, pois ali você recebia o seu mérito, mas se começasse a se gabar já te abafavam faziam cair a sua “ficha”. Mas o que me marcou foi ter a possibilidade de fotografar o Papa Bento XVI, junto do ótimo repórter Ronaldo Vitória, fotografei o Cirque du Soleil, shows, festivais de inverno em Campos de Jordão e muito mais. O Bolly me passava estas pautas que eram de super responsabilidade e eu trazia um bom material. Outro momento marcante foi fotografar futebol, fiz fotos do meu time o Palmeiras aqui no Barão de Serra Negra. E claro, fotografar a pobreza, principalmente quando tem criança envolvida é sempre marcante. Inclusive tenho uma foto de uma criança toda suja raspando o garfo no chão e comendo. Era difícil não se envolver, mas eu estava ali para buscar uma foto e me concentrava nisto. Depois na redação é que você começa a relembrar e sentir os problemas retratados.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Papa Bento XVI. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Projetos?

Eu gosto muito de expor meus trabalhos. A minha primeira individual foi Olhares a Beira Rio, a repórter Celiana Perina que escreveu o texto da exposição. Foi muito legal, recebi bastante apoio, inclusive do JP. Mas a primeira exposição foi coletiva com os fotógrafos do JP no Sindicato dos Bancários. A individual foi no Centro Cultural Martha Watts. A ideia desta exposição individual nasceu em Santa Maria da Serra. Tenho um sobrinho que mora ali e é pescador. Eu ia a passeio e comecei a fazer algumas fotos dele pescando e da comunidade ribeirinha. Andava com a máquina e fazia foto de tudo. Minha irmã reclamava dizendo que não me aguentava mais “tirando” fotos. (risos). Mostrei as fotos de Santa Maria da Serra para o Fábio Mendes, na época trabalhava no laboratório da loja Spavieri e me disse que merecia exposição. Com a ideia de expor encorpei o projeto e fui fotografar os pescadores no Rio Piracicaba. Comecei na rampa em frente ao antigo Clube Regatas e desci o rio. Assim nasceu a exposição. Piracicaba precisa de mais espaço para os fotógrafos expor, mas trabalhos sérios não florzinhas e bichinhos. Tem que ter uma história por trás. Eu comecei com o negativo, aprendi no dia-a-dia. Hoje está muito fácil fotografar com o digital. Depois fiz mais uma exposição coletiva com o Cláudio Coradine, Davi Negri, Marcelo Germano e Alessandro Maschio no Sesc Piracicaba sobre esporte, também foi muito legal. A última foi do Amandy, a melhor de todas. O fator maior desta exposição foi a possibilidade de reunir todos os repórteres fotográficos da cidade. Foi fantástico! A exposição foi sobre a enchente do Rio Piracicaba de 2010 e todas as mídias cobriram. Parece que a ideia foi do Antonio Trivelin, fotógrafo da Gazeta de Piracicaba. Ele mostrou suas fotos da enchente para o Sergio Furtuoso, da Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), e juntos tiveram a ideia de reunir todos nós. As reuniões para a montagem da exposição aconteciam na Acipi e sempre era divertido. O legal era que todas as decisões foram coletivas e reunir o Jornal de Piracicaba, Gazeta de Piracicaba, A Tribuna Piracicabana e Câmara dos Vereadores em um mesmo evento foi show de bola.

Olhares a Beira Rio. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Esportes. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Amandy. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

O que ainda não fotografou?

Um protesto “quente”, uma manifestação com polícia e aquela bagunça toda. Aqui em Piracicaba fotografei a retirada da população que invadiu as casas do bairro Gilda. A polícia avisou dias antes que retiraria os invasores e eu fiquei torcendo para que o Bolly me enviasse para lá, mas já estava certo que quem iria era o Alessandro Maschio. Só que o jornal achou melhor enviar dois fotógrafos. Fomos, eu e o Alessandro, às 5h para lá. Porém não houve resistência por parte dos moradores.

Desocupação Bairro Gilda. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Desocupação Bairro Gilda. Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

Em uma conversa com o Bolly ele me disse que você é fotógrafo de guerra, concordei com ele. O que acha desta observação.

Pode até ser. O Bolly teve um papel fundamental em meu trabalho, não é “rasgar a seda” porque ele sabe as oportunidades que me deu. Ele me jogava nas pautas, sentia que eu podia resolver. Quando vou fazer uma foto, se tiver que deitar no chão, sujar a roupa eu não ligo. Não fico na torcida, vou lá e trago a foto. Agora fotografar uma guerra… Eu sinto vontade sim. Se um dia eu for, algo muito remoto de acontecer eu visto o capacete, o colete e vou para a guerra. Não tenho pudor para fotografar. Só penso na minha foto, o que as pessoas vão achar dela em termos morais eu nem ligo. Um dia fui fazer uma foto do local onde será construído o novo presídio na estrada que vai para Limeira, e conversando com moradores próximos disseram que ali é área de preservação e que a construção do presídio iria acabar com tudo ali. Fui até lá para fotografar essa história. Realmente o lugar é bonito, muitas árvores, um riachinho que forma um riozinho, tem até uma pequena cachoeira. Fiquei no barranco com um Sol bem de frente atrapalhando a foto. Estava eu, o repórter Araripe Castilho e mais duas pessoas da região que nos levaram até o local. A luz não me ajudava, olhei para esquerda, para a direita, pedi para o Araripe segurar a câmera e disse para ele ficar quieto. Tirei a minha camisa, a calça e fiquei só de cueca. Peguei a câmera e entrei no riozinho. Ele não acreditava que eu estava fazendo aquilo e começou a me filmar com o seu celular. (risos). Mas fiz a foto como eu queria, foi capa do dia seguinte. Não faço isso para aparecer, me encomendaram uma foto e tenho que fazer da melhor forma possível. Na redação virou uma “zoação”, eu gordão só de cueca no meio do rio, foi só risada.

Quais são suas referências na fotografia?

Sebastião Salgado, Jorge Araújo e aqui em Piracicaba é Bolly e Alessandro Maschio. O Alessandro me deu muita visão no trabalho. Estes jornalisticamente, no comercial o Marcelo Germano me ensinou muito também.

Defina a fotografia em sua vida.

Ainda busco a fotografia, não tenho “a” foto. A fotografia é a luz que guia o meu caminho.

Foto: Mateus Medeiros. © Todos os direitos reservados.

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Em breve!

Em pé da esq. p/ dir.: Nilo Belotto, Del Rodrigues, Ivan Moretti, Cláudio Coradine, Fábio Rodrigues, Marcelo Germano, Alessandro Maschio e Bolly Vieira. Sentados: Daniel Damasceno, Christiano Diehl, Henrique Spavieri, Fábio Mendes, Antonio Trivelin e Mateus Medeiros. © 2012. Foto: Sérgio Furtuoso.

Em pé da esq. p/ dir.: Nilo Belotto, Del Rodrigues, Ivan Moretti, Cláudio Coradine, Sérgio Furtuoso, Fábio Rodrigues, Marcelo Germano, Alessandro Maschio e Bolly Vieira. Sentados: Daniel Damasceno, Christiano Diehl, Henrique Spavieri, Fábio Mendes, Antonio Trivelin e Mateus Medeiros. © 2012. Foto: Garçom amigo.

Patota! © 2012. Foto: Garçom amigo.

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Exposição fotográfica “amandy”

Olá, caros.

Imperdível a exposição, amandy, aberta ao público dia 16 de março. Acontece lá no Engenho Central, Armazém 14A. Horário de visita, das 9h às 17h. São fotos históricas e recentes das grandes enchentes acometidas pelo nosso Rio Piracicaba, captadas pelas lentes dos grandes fotojornalistas de nossa cidade. Enchentes que invadem casas, desabrigam pessoas mas que não ferem a imagem do nosso querido rio. Abaixo seguem: o cartaz de divulgação, a foto com os “culpados” destes registros e um divertido vídeo, feito pelo celular, que foi elaborado pelo fotógrafo Alessandro Maschio.

Confiram!

 

Cartaz de divulgação.
Da esq. pra dir. em pé: Alessandro Maschio, Cláudio Coradini, Henrique Spavieri, Mateus Medeiros, Davi Negri e Marcelo Germano. Agachados: Christiano Diehl, Pauléo, Antonio Trivelin, Daniel Damasceno e Bolly Vieira. Foto: Dani Ricci

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Mais um prêmio ao fotógrafo, Antonio Trivelin

Já virou rotina. O fotógrafo da Gazeta de Piracicaba, Antonio Trivelin recebeu mais um prêmio. Desta vez foi no VIII Concurso Nacional de Fotografia do SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas). Além do prêmio em dinheiro, o mais legal é que a foto estampará um cartaz para campanha do SENAD, que circulará por todo o território brasileiro. Trivelin foi até o Distrito Federal receber o prêmio pelas mãos do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Para saber mais, clique aqui.

Parabéns Antonio!

Foto premiada em cartaz que circulará no Brasil. © Antonio Trivelin

Lula e Trivelin na entrega do prêmio. Foto: Divulgação

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“…vai jogar água pra fora”.

Enchente Rio de Piracicaba

Largo dos Pescadores

Finalmente a chuva deu uma trégua. Apesar de alguns estragos causados por tanta água, o nosso rio reviveu o que nenhum piracicabano mais esperava, encheu e transbordou. Atrapalhou (e muito) quem mora e trabalha na Rua do Porto, mas ficou lindo.

Gostaria de ter registrado tanta beleza, mas… Essa imagem foi uma das poucas que fiz. Deixei de fotografar a piracema, o Véu da Noiva, a forte correnteza, a molecada pulando da Ponte Pênsil e tudo o mais que o Rio de Piracicaba proporcionou nestes dias. Mas, meu amigo e fotógrafo Antonio Trivelin fez belíssimas imagens e disponibilizou um vídeo no Vimeo. Foram tantas imagens que fez durante trabalho pela Gazeta de Piracicaba, e que por falta de espaço não foram publicadas, resolveu montar um slideshow e compartilhar estas fotos. Um registro histórico que talvez leve mais vinte anos para ocorrer, e se acontecer, será uma Piracicaba diferente, em outro momento de uma cidade em plena expansão.

Antonio, parabéns pelo trabalho.
Para assistir o vídeo: http://vimeo.com/9231321

Inté.

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